Deus menino, o eterno missionário do Pai – Por Dom Rafel Biernaski e Dom José Mário Angonese

Mês de dezembro. Mais um ano chega ao seu fim. Mais um de muitos ciclos de nossa vida pessoal e eclesial. Tudo tende para um fim e um reinício. Cada pessoa tem um projeto de vida, um ideal, uma meta a ser atingida. Como igreja, também temos metas, maiores e menores. Uma é suprema e para a qual todas as demais devem estar voltadas: a construção do Reino de Deus, que é o projeto de Jesus Cristo.

A Arquidiocese de Curitiba, povo de Deus a caminho, seguindo as orientações do Concílio Vaticano II, das Conferências Latino-Americanas e da CNBB, tem objetivos a serem atingidos. No XVII Plano da Ação Evangelizadora da Arquidiocese, foi programado que 2014 seria um ano de preparação para Missões Populares. Em 2015, aconteceria o lançamento do Projeto. Por iniciativa de Dom Moacyr Vitti, quando ainda estava entre nós, foi constituída uma equipe para dinamizar esta ação. E essa equipe, com esforço, muita criatividade, com o apoio dos padres, religiosos e lideranças, colocou nossa Arquidiocese na “rampa” de lançamento de Missões Populares e Permanentes a partir de 2015.

Ferramentas para o projeto missionário: temos um tema, que é “Alegria da missão”. Um lema: “o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos!” (1Jo 1,3). Temos também uma logomarca, um hino, uma oração em um manual com texto-base e diretrizes para orientar os missionários.

A grande mística das nossas missões será:

1º. Um encontro vivo com Cristo e sua Palavra. Sem isso, ninguém é missionário, ninguém evangeliza.

2º. Uma Igreja em atitude missionária. Seguindo as orientações do Papa Francisco, muito mais do que cumprir um cronograma de atividades, queremos com as missões desenvolver um novo jeito de a Igreja ser, que se caracterizará por uma Igreja acolhedora, de portas abertas e em atitude de saída. (EG 46) Igreja que sai para servir, que sai para dialogar, que sai para anunciar, que sai para testemunhar comunhão. Esta atitude de saída terá uma marca: a Alegria.

Outra meta ousada que temos é a renovação paroquial. Nossas paróquias, em sua atual estrutura, facilmente se fecham em uma “pastoral de conservação” (cf. DAp 370). O Documento 100 da CNBB é a grande luz: “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia, a conversão pastoral da paróquia”. Na perspectiva missionária, entende-se por “conversão pastoral” tornar a paróquia completa e decididamente missionária, empregando todos os seus membros, pastorais, movimentos, serviços e todos os esforços e recursos, não para cultivar a si própria, nem para a satisfação de pequenos grupos privilegiados, mas para sair em missão, ir oferecer a todos, especialmente aos mais distantes, com alegria, o que temos de melhor: Jesus Cristo e o seu projeto, o Reino de Deus.

Para que as missões ajudem na renovação paroquial, temos boas inspirações em São Paulo, o missionário das cidades e de todos os tempos. Em suas viagens missionárias, ele organizava comunidades. E essas comunidades continuavam a reunir-se, mesmo depois de sua partida. Organizar pequenas comunidades (grupos de famílias, de amigos) que se reúnam em torno da Palavra de Deus será o grande objetivo do missionário e das missões. Essa atividade dará uma nova dinâmica à vida paroquial, renovando-a, e garantirá o caráter permanente das missões.

Os setenta e dois enviados por Jesus para onde Ele deveria ir, quando voltaram da ação missionária, não se continham de tanta alegria. Jesus considera: “Não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu”. (Lc 10,20) Ser missionário de Jesus por si gera alegria. Mas o objetivo último de nossa existência neste mundo e que jamais deve ser esquecido, em nossas pequenas e grandes metas do dia a dia, é a construção do Reino de Deus. E, assim, ter o nome escrito no céu. Essa alegria, por enquanto, é quase imperceptível, por isso não motiva muito, mas viver a vida, neste mundo, sem considerá-la é uma ingenuidade.

Enfim, é Natal mais uma vez. Nos inclinamos para contemplar onde tudo começou: num presépio. Não é fácil combinar extrema pobreza com ternura, singeleza e encanto. Inclinados é o que vemos. E nosso coração se rejubila como a multidão de anjos daquela noite. Na inspiração da Gruta de Belém, onde, inclinados, contemplamos o Deus menino, o eterno missionário do Pai. Neste ambiente, onde tudo começou, queremos com alegria e esperança dar novo impulso a nossa ação evangelizadora.  Que a celebração do Natal nos ajude na construção de uma Igreja viva, esperançosa, alegre e em saída missionária.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

Autor: Comunicação
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